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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

45-De professor para professor – reflexões e sugestões para EBD


De professor para professor – reflexões e sugestões para EBD

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Vivemos em dias maus, conforme profetizou o apóstolo Paulo, e uma das características destes dias é o afastamento do povo de Deus da Palavra de Deus.
Há cinco anos tive a oportunidade de ouvir pela primeira vez o pastor Ziel Machado[1] e nunca esqueci sua mensagem, a qual trago sempre comigo e uma de suas falas foi:
Nenhuma geração teve tanto acesso a Palavra de Deus do que a nossa geração. Hoje temos todo tipo de bíblia; bíblia rosa, jeans, camuflada, da letra gigante, da letra pequena com lupa; bíblia no celular, em áudio, na internet; bíblias de estudo das mais diversas: Thompson, Shedd, Pentecostal, Plenitude, Genebra etc. Porém nunca houve uma geração tão leiga das Escrituras quanto a nossa geração.
Essa triste realidade piora ao observarmos que a crença ou teologia de muitos cristãos e igrejas é fruto da música gospel e não do estudo reflexivo do texto bíblico, ignorando a história e a tradição da igreja.
É o caso da música ‘Restitui’[2], a quem atribuo o papel de despertar o discurso por restituição nas campanhas, cultos, orações, pregações, profecias etc. Em que parte do Antigo Testamento, encontramos a promessa de restituição a qual o Cristo concederia a seu povo? Ou onde no Novo Testamento é pregado, prometido, ensinado ou orado que Deus em Cristo restituiria algo ou alguém aos seus discípulos?  O que acontece aqui é mais bem explicado nas palavras do Pe. Antonio Vieira (por favor, não ignorem as palavras de um padre ou qualquer um que fale conforme a Palavra de Deus) que disse “as palavras de Deus separadas da Palavra de Deus tornam-se palavras do diabo” [3].
Muito do que se tem pregado, cantado, ensinado e profetizado nas igrejas e ao povo de Deus são palavras do diabo, apesar de serem pronunciadas como palavras de Deus!
Como saber se as palavras de Deus que ouvimos são palavras do diabo ou não? De acordo com o capítulo quatro do evangelho de Mateus, a única maneira é conhecendo a Palavra de Deus. Talvez por isso Jesus nos alertou: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus”[4]
A EBD E A EDUCAÇÃO CRISTÃ
A Escola Bíblica Dominical é o espaço que nós, nossos filhos, nossos conjugues, amigos, familiares, pobres ricos, homens, mulheres, idosos, adolescentes, jovens, crianças, surdos, mudos, cegos, paraplégicos e outros têm de aprenderem a Palavra de Deus e assim desenvolverem uma fé solida, fruto da reflexão bíblica.
Quando falamos em Escola Bíblica Dominical, estamos falando em educação cristã, a qual se fundamenta nas Escrituras Sagradas, logo o conhecimento bíblico é indispensável para o exercício deste ministério.
Seus principais agentes são os pais, os pastores, professores bíblicos e todo aquele que faz uso da bíblia para ensinar “todo conselho de Deus”. Todavia cabe ao educador cristão, ou seja, a todo discípulo de Jesus, aplicar em sua vida o trinômio de Esdras:
 Esdras havia dedicado a sua vida a estudar, e a praticar a Lei do Senhor, e a ensinar todos os seus mandamentos ao povo de Israel.[5]
O PROFESSOR DA EBD
O termo professor vem do latim professor, que é ‘o que se dedica a’. Parece que o surgimento desta palavra faz parte do contexto religioso do século XV, fazendo referencia àquele que professa uma crença ou uma religião.
Quando falamos em professor da EBD estamos falando em pessoas que na sua maioria não tiveram nenhuma formação acadêmica ou pedagógica, não obstante não deixam de ensinar as verdades eternas.
A estes catecúmenos o apóstolo Paulo diz “se é ensinar que haja dedicação”. Assim, podemos concluir que ensinar é um dom da graça de Deus, todavia exige-se do agraciado o esforço para aprofundar seu conhecimento e melhorar sua atuação.
O Reverendo John Stott nos agracia com o seguinte comentário sobre versículo acima:
Assim, qualquer que seja o dom-ministério que as pessoas receberam, elas devem aplicá-lo com afinco. De semelhante modo, quem tem o dom de mestre deve cultivar o seu dom de ensino e desenvolver o seu ministério como tal. Não se discute que este seja, dentre todos os dons, o mais necessário e o mais urgente na igreja de hoje no mundo inteiro, em que centenas de milhares de convertidos são empurrados para dentro das igrejas, mas há pouquíssimos mestres para nutri-los na fé.[6]
Ser professor da EBD deve ser compreendido como uma vocação ao ensino bíblico, assim cabe a este servo do Senhor, buscar se aprofundar mais e mais no livro sagrado.
O docente da EBD assim como qualquer outro professor não é obrigado a saber todas as respostas; é até honroso e atrativo ao professor que usa de honestidade e diz “não sei” ou “não tenho certeza”.
Cabe a este educador desenvolver o hábito da leitura tanto de livros relacionados aos temas das aulas como de temas diversos, religiosos ou não. Neste momento vale lembrar a celebre frase do teólogo Karl Barth: “O cristão deve andar com a bíblia na mão direita e o jornal na mão esquerda”. Barth não estava igualando o jornal com a bíblia ou vice-versa, mas falando para os cristãos que não podemos viver alheios aos acontecimentos da nossa realidade, que precisamos tanto do conhecimento bíblico quanto do conhecimento dos fatos do cotidiano.
Uma das criticas mais recorrentes entre alunos desestimulados e que desistiram da EBD é a do professor despreparado, o qual não se aprofundou no tema da aula, é contador de histórias e suas aulas são baseadas em três pontos: lê a lição, sai da lição e nunca mais volta pra lição!
O pastor Esdras Bentho[7] em seu artigo “Novos Professores para uma Nova Igreja[8]” afirmou que alguns docentes já deveriam ter pendurado a batuta: “Ainda continuam lendo integralmente a revista da Escola Dominical; não usam qualquer tipo de método; são incapazes de comentar com profundidade teológica o tema da lição; reclamam que o assunto é repetido e além de se colocarem nos holofotes de seus cargos eclesiásticos” e conclui dizendo que “sim, esse é o perfil do professor desnecessário, substituível, que não quero para a igreja deste novo milênio. Tal ensinante é inútil à renovação da igreja”.
A AULA DA  EBD
Por estarmos falando de professores de jovens e adultos precisamos entender que nossas aulas devem ser um espaço descontraído, em que nossos alunos possam se sentir a vontade para expressarem suas dúvidas, opiniões e experiências.
Um professor, cuja vida é marcada por uma dosagem exagerada dos usos e costumes, terá um perfil legalista e uma atitude julgadora, não proporcionando aos alunos o espaço adequado para suas contribuições.
Segundo Lucas 14.28-30 toda construção deve ser precedida de um planejamento. Sem o estabelecimento de um plano estratégico, não se conclui satisfatoriamente uma obra, podendo o construtor ser vítima de escárnio ou motejo[9]. Sendo assim o professor não deve encarar sua classe de qualquer maneira, sem preparação alguma. Devemos lembrar que o pescador prudente antes de jogar as redes ao mar, verifica as condições da mesma (Mc 1.19), a fim de que os peixes não escapem ou a rede não se rompa devido a grande quantidade de animais marinhos (Jo 21.11).
O professor deve evitar dar uma aula lendo todo o conteúdo da lição, pois os alunos têm suas lições e teoricamente já as leram em suas casas. O professor precisa entender que a lição existe como roteiro, guia para preparação das aulas, que conforme o nível de seus alunos poderá aprofundar o assunto sem sair do tema.
Outro tipo de aula que se deve evitar é a estilo pregação, aquela aula em que só o professor fala e não há participação nenhuma da classe. Mesmo que haja dificuldade de participação dos alunos, cabe ao ensinador criar uma cultura de participação, bem como métodos para controlar a participação excessiva dos alunos para não perder o controle da aula e não concluir a lição.
Acredito que a grande preocupação do professor de EBD não deve ser se ele conseguiu dá a aula perfeita ou como ele imaginou que deveria ser. Mas se o que ele ensinou mudará a vida de seus alunos e/ou os despertará a buscarem a Deus em sua Palavra e na oração.
O CONHECIMENTO DO PROFESSOR
Não é essencial que o professor de EBD seja formado em teologia, mas que tenha prazer em estudar a Bíblia e isso através de bons livros, comentários bíblicos, Teologias Sistemáticas e oração.
Cabe ao ensinador cristão conhecer bem o livro que está estudando e que irá ensinar, logo para isso faz-se necessário saber o que é hermenêutica e seus princípios para poder interpretar um texto bíblico.
A melhor forma de adquirir conhecimento é lendo, por isso deve o professor ou qualquer pessoa que queira ensinar a Bíblia ter uma biblioteca. Assim como separamos parte do nosso dinheiro para comprar roupas, alimentos, diversão etc, convém fazermos o mesmo para aquisição de livros, no mínimo um por mês.
Porém deve-se tomar cuidado, pois há perspectivas diversas sobre temas que estudaremos, por isso precisamos conhecer nossa tradição e denominação para não ensinar algo contrario a elas. E tal conhecimento vem pelo estudo da história do pentecostalismo e da Assembleia de Deus, bem como da Igreja em geral.
É necessário conhecermos os principais expoentes e autores da CPAD, visto que ela é o órgão oficial da nossa denominação e toda conteúdo por ela vendido corresponde a crença assembleiana.
Isso não significa que o professor não pode ter uma opinião diferente sobre determinado assunto, mas que ao querer expor e fundamentar sua opinião deve só fazê-lo antes ou após apresentar o que nossa denominação defende.
RECURSOS PARA AS AULAS
É difícil falar de recursos, uma vez que não conheço a realidade dos participantes deste CAPEB, por isso vou apresentar minha experiência de como o uso de tecnologias e internet me auxiliam tanto na preparação das aulas quanto na exposição delas.
Já dizia o antigo provérbio chinês “uma imagem vale mais que mil palavras” e seguindo o comentário paulino é melhor falar cinco palavras que os outros entendam do que dez mil que não se aproveite nada. Por isso para maximizar a exposição bíblica faço uso constante do data-show, que me permite mostrar texto, imagem e vídeo.
Para preparar minhas apresentações busco sempre imagens relacionadas ao tema em questão, para evitar ou mostrar o que as palavras descrevem e para isso a internet tem sido de grande ajuda, além de proporcionar diversos comentários das lições.
O Facebook tem sido muito útil tanto para enviar convites das aulas como para oferecer um espaço para que os alunos possam baixar as apresentações das aulas dadas e compartilharem suas opiniões, informações, dúvidas e reclamações.
Não apenas o professor deve desenvolver o hábito  de leitura, mas seus alunos também, por isso é interessante a doação de livros relacionados aos temas estudados. Como estudamos um tema a cada trimestre acredito que dê para os professores reservarem algum dinheiro ou conseguirem um patrocínio para comprarem alguns livros que serão uteis no estudo do trimestre que se inicia!
Dependendo do tema a ser estudado é interessante levar um convidado que conheça bem aquele tema em questão para que participe da aula e tenha um espaço para contar sua experiência e responder algumas perguntas,
Descrição: https://zebruno.files.wordpress.com/2012/10/audiovisual-ensinocriativo1.png?w=700&h=900
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A proposta desta palestra é ajudar aos professores de EBD a melhorarem suas aulas, mas como não sou formado em pedagogia, propus compartilhar minhas experiências de professor de EBD desde o começo até hoje.
Posso ter esquecido algum tópico, que poderei abordar durante a apresentação, entretanto tenho sido convencido que o segredo de uma EBD bem-sucedida é a qualidade de seus professores.
Ao falar em qualidade refiro-me ao caráter, ao hábito de leitura e a vocação de ensinar ou como antes disse o trinômio de Esdras: Esdras lia, vivia e ensinava a Lei do Senhor, que cada professor deve ter.
O professor da EBD deve entender que ensinar a palavra de Deus tanto é um dom como uma vocação, um chamado divino, ao ponto daqueles que desejam serem pastores ou mesmo diáconos só poderão sê-lo se forem aptos ao ensino!
O professor ao reconhecer sua vocação deve entender que seu papel na igreja local é de suma importância, por isso seu comprometimento deve ser com Jesus Cristo e a Palavra de Deus, logo não deve abrir mão da verdade do evangelho.
A menos que vocês provem para mim pela Escritura e pela razão que eu estou enganado, eu não posso e não me retratarei. Minha consciência é cativa à Palavra de Deus. Ir contra a minha consciência não é nem correto nem seguro. Aqui permaneço eu. Não há nada mais que eu possa fazer. Que Deus me ajude. Amém. Martinho Lutero.

Notas
[1] Pastor Metodista Nissei em São Paulo e Coordenador Latino-Americano da ABU*
[2] Tema do CD do ministério Toque no Altar, atual Trazendo a Arca.
[3] Sermão da Sexagésima
[4] Mateus 22.29 ARA
[5] Esdras 7.10 [NTLH]
[6] STOTT, John. A Bíblia Fala Hoje – A Mensagem de Romanos. 1ªed. Editora ABU, 2007, p.396
[7] Pastor Esdras Bentho é articulista do site CPAD News e autor de diversos livros.

https://zebruno.wordpress.com/2012/10/15/de-professor-para-professor-reflexoes-sugestoes-ebd/

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